Eu pedi seios grandes… só não imaginei o quanto
- Paula Roberta
- 30 de abr.
- 3 min de leitura

Eu sempre falo que preciso aprender a ser mais específica com o universo.
Na minha pré-adolescência, eu queria muito ter seios grandes. Eu nasci em 1981, cresci nos anos 90, e naquela época isso era praticamente um símbolo de beleza. Era o padrão. Era o que a gente via nas revistas, na TV, nas referências da época.
E eu pedi seios grandes.
Pedi tanto que, hoje, eu brinco que exagerei.
No começo, parecia incrível. Mas com o passar dos anos, aquilo que era sonho começou a virar desconforto. E não foi de um dia para o outro. Foi aos poucos.
A roupa nunca caía bem. O sutiã sempre marcava. Os ombros viviam doloridos. As costas começaram a reclamar. E tinha também o peso emocional, que quase ninguém fala.
Eu passei muito tempo tentando normalizar aquilo. Pensando que fazia parte de mim e que eu precisava simplesmente aceitar.
E sim, eu acredito muito na aceitação.
Mas hoje eu entendo que aceitar o corpo não significa ignorar o que ele está pedindo.
Quando não é só estética
Existe um nome para isso: hipertrofia mamária. E, na prática, significa ter mamas grandes a ponto de impactar a saúde física e emocional.
Não é frescura. Não é exagero.
É dor nas costas, no pescoço, nos ombros. É dificuldade para se movimentar.É limitação no dia a dia.
E, em muitos casos, é um peso que vai muito além do corpo.
A decisão de operar
Em abril de 2023, depois de muito tempo me observando e me escutando de verdade, eu decidi fazer a mamoplastia redutora.
E foi uma decisão muito consciente.
Eu não fiz por estética. Eu fiz por qualidade de vida.
Eu fiz com o Dr. Dimas Milcheski. Tive uma experiência extremamente segura, acolhedora e profissional.
Faço questão de falar isso porque ainda existe muito medo quando se fala em cirurgia no Brasil. Mas a verdade é que temos profissionais excelentes e hospitais de altíssimo nível.
E o SUS? O que é possível na prática
Mesmo eu tendo feito no particular, eu fui entender melhor como funciona pelo público. E isso é muito importante dividir.
O Sistema Único de Saúde (SUS) realiza mamoplastia redutora sim, mas não como procedimento estético.
Ela é considerada uma cirurgia reparadora, ou seja, precisa ter indicação médica.
Na prática, isso significa que a paciente precisa comprovar que as mamas estão causando problemas de saúde, como:
dores crônicas nas costas, ombros ou pescoço
alterações posturais
lesões ou infecções recorrentes na pele (principalmente abaixo das mamas)
limitações físicas no dia a dia
O caminho geralmente começa pelo posto de saúde, passa por avaliação médica e, se indicado, a paciente entra na fila para atendimento hospitalar.
Agora, sendo bem realista:o SUS funciona, sim, mas pode envolver espera.
O tempo varia muito de região para região e da demanda local. Em alguns lugares, pode levar meses ou até anos.
Mas isso não anula o fato de que é um direito.
E muitas mulheres conseguem realizar a cirurgia dessa forma.
O que mudou depois da cirurgia
Eu achei que ia ser uma mudança física.
Mas foi muito mais do que isso.
Foi sentir leveza no corpo. Foi parar de normalizar sentir dor todos os dias. Foi me olhar no espelho e me reconhecer. Foi me vestir sem precisar “adaptar tudo”.
Foi liberdade.
E talvez essa seja a palavra que melhor define tudo.
Para quem está pensando nisso
Se esse assunto já passou pela sua cabeça, eu só quero te trazer consciência, não pressão.
Se informe. Procure bons profissionais. Entenda o seu corpo.
E principalmente: se escute.
Não é sobre seguir padrão. Não é sobre agradar ninguém.
É sobre viver melhor dentro do seu próprio corpo.
No final das contas
Eu continuo sendo eu.
Só que mais leve. Mais confortável. Mais livre.
E hoje eu entendo que amor próprio não é só aceitar.
Às vezes, é ter coragem de mudar.
Eu não poderia escrever sobre essa experiência sem expressar minha profunda gratidão ao Dr. Dimas.
Desde o primeiro momento, fui acolhida com um olhar técnico impecável, mas também com sensibilidade, respeito e escuta — algo que faz toda a diferença quando estamos falando de uma decisão tão íntima.
Sua trajetória fala por si só: formado pela Universidade Federal do Paraná, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Faculdade de Medicina da USP, além de especializações, mestrado, doutorado e livre-docência pela mesma instituição. Um profissional que une excelência acadêmica, experiência prática e constante atualização, incluindo formação internacional pela Harvard Medical School.
Mas, além de todos os títulos, o que mais me marcou foi a forma como fui conduzida em todo o processo.








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