Entre Desafios e Experiências: o Turismo 60+ Movimenta o Brasil e Expõe a Necessidade de Mais Acessibilidade, Acolhimento e Respeito à Longevidade
- Entre Laços As Maias

- há 2 dias
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Por Giana Yahi da Costa Ramos

O turismo voltado ao público 60+ vive um momento de expansão no Brasil. Cada vez mais pessoas maduras buscam experiências, conexões e a realização de sonhos que ficaram em espera ao longo da vida. No entanto, junto com esse crescimento, surge uma discussão essencial: a necessidade de tornar os destinos turísticos mais acessíveis, inclusivos e preparados para a longevidade.
Recentemente, participei do Expo Fórum de Turismo 60+, realizado em São Paulo, um dos maiores eventos do país dedicados ao turismo para o público sênior. O encontro reuniu especialistas, empresas, destinos turísticos e profissionais da área para debater tendências, oportunidades e desafios do setor.
Uma vitrine do turismo brasileiro
Logo na entrada do fórum, diversos estandes representavam diferentes regiões do Brasil, transformando o espaço em uma verdadeira vitrine do turismo nacional.
Entre os destaques estava o estande do Paraná, um dos mais visitados do evento. Além da presença de uma simpática personagem fantasiada de capivara, símbolo do estado, o espaço contava com o MasterChef Rui Morschel, embaixador do Paraná nas redes sociais e conhecido por aproximar gastronomia, cultura e turismo de forma leve e autêntica.
O evento também reuniu grandes nomes do setor, como o grupo Velle, especializado em cruzeiros de alto padrão, e o Costão do Santinho, tradicional resort de luxo localizado em Santa Catarina, reforçando como o turismo 60+ vem despertando o interesse de empresas cada vez mais preparadas para oferecer conforto, experiência e exclusividade.
Saúde, bem-estar e longevidade ativa
Na sala de conferências, representantes de diversos estados brasileiros apresentaram seus principais destinos turísticos, enquanto painéis reuniram personalidades ligadas ao movimento wellness para debater saúde, bem-estar e longevidade ativa.
Entre os destaques esteve a aula magna de Walter Longo sobre inteligência artificial e inovação. Durante sua palestra, ele desmistificou a ideia de que a inteligência artificial substituirá completamente os seres humanos e trouxe uma reflexão marcante:
"O turismo mudou de turismo para usufruir para turismo de demonstrar."
A frase provocou o público a refletir sobre a necessidade constante de registrar momentos em vez de simplesmente vivê-los.
A nova geração 60+ está transformando o turismo
Há uma transformação acontecendo diante dos nossos olhos. Pessoas com mais de 60 anos estão ocupando aeroportos, cruzeiros, hotéis e experiências culturais com uma energia que desafia antigos estereótipos sobre envelhecimento.
Essa geração busca conforto e segurança, mas deseja, acima de tudo, viver experiências significativas, construir memórias e manter uma vida ativa.
Contudo, existe um obstáculo que ainda limita essa liberdade: a falta de acessibilidade.
Para muitos idosos com dificuldades de locomoção, viajar ainda significa enfrentar calçadas irregulares, hotéis despreparados, passeios sem adaptação e sistemas de transporte que não oferecem conforto ou segurança adequados.
Acessibilidade: um desafio que não pode mais ser ignorado
O contraste ficou evidente durante o Fórum de Turismo 60+, onde levei à discussão a necessidade urgente de um turismo mais inclusivo e acolhedor.
Dados do Ministério do Turismo mostram que mais da metade dos turistas com deficiência ou mobilidade reduzida já deixaram de viajar devido à falta de acessibilidade nos destinos brasileiros.
Essa realidade faz parte do meu dia a dia profissional. Como fisioterapeuta, acompanho pacientes que utilizam andadores, bengalas ou cadeiras de rodas e que frequentemente encontram barreiras físicas que limitam sua autonomia e participação social.
Em um país que envelhece rapidamente, ignorar essa realidade significa fechar portas para milhões de pessoas.
A longevidade mudou. E o turismo precisará mudar junto.
O crescimento do turismo 60+ representa uma oportunidade econômica importante para o Brasil, mas também um convite à reflexão sobre inclusão, acessibilidade e respeito à diversidade do envelhecimento.
Mais do que adaptar estruturas, é preciso construir experiências que acolham todas as pessoas, independentemente de suas limitações físicas.
Viajar deve ser um direito possível, seguro e prazeroso em qualquer fase da vida.

Sobre a autora
Giana Yahi da Costa Ramos é fisioterapeuta especializada em ortopedia e traumatologia e atua à frente da Ello Serviços de Fisioterapia, com foco em reabilitação, qualidade de vida e recuperação da autonomia de pessoas que tiveram seus sonhos e movimentos limitados pela dor ou por dificuldades de mobilidade.
Participa ativamente de iniciativas voltadas à acessibilidade e à melhoria da qualidade de vida da população 60+



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