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Primeira menstruação é só o começo: o que o corpo da menina começa a dizer.

Atualizado: 11 de mar.

Mais do que um evento hormonal, a menarca (primeira menstruação) marca o início da relação da menina com o próprio corpo — um momento que pede diálogo, escuta e orientação.


A primeira menstruação costuma ser vista apenas como um marco biológico da adolescência, um sinal de que o corpo começou a ciclar. Mas, na prática, ela representa algo maior: o início de uma nova relação da menina com o próprio corpo.

Durante a puberdade, o organismo passa por mudanças rápidas. Além das alterações hormonais, surgem transformações na postura, no padrão respiratório, na organização muscular e na forma como a adolescente percebe o próprio corpo. Nem sempre essa percepção acompanha a velocidade dessas mudanças.

Nesse período, podem surgir cólicas menstruais, dores lombares, tensão abdominal e outros desconfortos físicos. Também são comuns alterações posturais ou dificuldades em reconhecer os sinais do próprio corpo — algo esperado em uma fase de reorganização física e emocional. O problema é que muitos desses sinais acabam sendo naturalizados ou silenciados, como se fossem apenas parte inevitável da menstruação.

Mas a menarca também pode ser o início de um aprendizado importante: reconhecer o corpo, compreender suas mudanças e desenvolver consciência corporal.


O corpo muda — e precisa ser compreendido


O crescimento acelerado da puberdade exige que o corpo se reorganize. Músculos, articulações e padrões de movimento passam por adaptações enquanto o organismo amadurece. É um momento em que a menina está aprendendo a habitar um corpo que muda rapidamente.

Nesse cenário de transformações, a fisioterapia pode contribuir de forma significativa para o cuidado com o corpo feminino desde cedo. O trabalho fisioterapêutico nessa fase envolve:

  • Desenvolvimento da consciência corporal

  • Percepção da respiração

  • Organização postural

  • Estratégias de prevenção e manejo de dores e desconfortos comuns

  • Educação em saúde pélvica e corporal

Esse processo ajuda a adolescente a compreender melhor o funcionamento do próprio corpo e a reconhecer sinais físicos importantes, favorecendo uma relação mais saudável com as mudanças naturais da puberdade.

Quando a menina aprende desde cedo a observar e compreender seu corpo, ela desenvolve mais autonomia para cuidar da própria saúde ao longo da vida.


Um cuidado que acompanha toda a vida


O cuidado com o corpo feminino não começa apenas quando surgem sintomas. Ele pode — e deve — ser construído desde as primeiras fases da vida.

Esse olhar acompanha a mulher ao longo de diferentes momentos do ciclo feminino, da primeira menstruação ao envelhecimento. Quanto mais cedo a mulher aprende a reconhecer sinais do corpo, compreender suas mudanças e buscar orientação quando necessário, maior é sua capacidade de cuidar da própria saúde.


Conversas que ajudam a abrir caminhos


Na Durce Vita Saúde Integrada, dentro do Programa Ciclos Femininos — menarca, trabalhamos essa fase com base na experiência clínica da equipe de fisioterapia, associando conhecimento técnico a abordagens educativas e sensíveis.

Materiais de educação em saúde também têm papel importante, como:

  • A Menina que Virou Lua, de Morena Cardoso

  • O Diário de Adelaide, de Berenice Meuer

Essas obras abordam de forma ancestral e poética as transformações da menina e ajudam a abrir o diálogo entre meninas, mães e cuidadores, tornando a puberdade mais compreendida e acolhedora.


Um convite para aprender a escutar o corpo


A primeira menstruação não precisa ser vista apenas como um evento biológico. Ela pode ser também o início de um cuidado com o corpo que acompanhará a mulher ao longo de toda a vida.

Com diálogo, informação e orientação adequada, a menarca se torna muito mais que um marco biológico: é o início de uma relação consciente e respeitosa com o próprio corpo.

Para mães, educadoras e cuidadores, falar sobre o corpo com naturalidade é uma forma de cuidado. Quando ensinamos uma menina a escutar o que o corpo diz, ajudamos a formar uma mulher que saberá compreender, respeitar e cuidar de si mesma ao longo da vida.


Karina Durce – mãe, fisioterapeuta e docente na São Camilo. Diretora da clínica Durce Vita Saúde Integrada, atua transformando os ciclos femininos com saúde baseada em evidência e propósito. @durcevitafisioterapia

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2 comentários

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Convidado:
11 de mar.

conteudo incrivel!!

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Erika
08 de mar.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Eu amei como você abordou esse assunto de forma tão sensível e esclarecedora. A dica dos livros foi perfeita!

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